Na outra gravidez fiz a criopreservação de células estaminais, apesar de ter custado um bocadinho a dar 1200 euros. Mas, como mais vale prevenir que remediar, assim o fizemos.
No entanto, agora é um bocadinho diferente! Estamos em crise! Não há este dinheiro para dar e tenho lido muita coisa sobre a criopreservação e, sinceramente, não sei se vale a pena.
Tínhamos então decidido fazer pelo banco público e assim não pagávamos nada e daríamos o sangue para quem necessitasse.
Mas o banco público tem estado parado pelo que decidi escrever um mail para lá para saber informações.
Eles prontamente me responderam e deram-me informações que foram ao encontro do que eu já pensava da criopreservação de células estaminais.
Aqui fica o mail que considero muito esclarecedor...
Exma. Senhora Sara Correia,
No que concerne o Banco Público de Sangue do Cordão – Lusocord, atualmente as colheitas de sangue do cordão umbilical encontram-se suspensas. A decisão de suspensão temporária da atividade de colheita de novas unidades para o banco público de células de cordão umbilical, foi tomada uma vez verificada a necessidade de melhorar este procedimento.
A presente decisão não se traduz no aumento de riscos para os doentes, nem numa diminuição da atividade de transplantação no nosso País, uma vez que os doentes que requerem transplantes de progenitores hematopoiéticos poderão continuar a recorrer ao Registo Nacional de Dadores de Medula Óssea, que conta com mais de 300 mil inscritos e contribui para o registo mundial, onde se encontram registados mais de 20 milhões de dadores, a que temos acesso.
Recorde-se que, dos 461 transplantes de células hematopoiéticas realizados em Portugal em 2011, apenas 7 foram efetuados com células de cordão umbilical, sendo que todas as unidades eram provenientes de bancos internacionais.
Mais se informa que, a suspensão da receção de novas unidades pretende permitir a reorganização do banco público, e será retomada no mais breve espaço de tempo.
Prevê-se assim que, todas as medidas agora adotadas permitam atingir uma significativa melhoria do serviço público prestado aos doentes que necessitam de recorrer a esta área da medicina.
As colheitas serão retomadas previsivelmente no próximo mês de dezembro, no Hospital de São João no Porto.
Ainda no que concerne a preservação de sangue de cordão umbilical, informamos:
1. Em 2011, foram realizados 7 transplantes com sangue do cordão em Portugal.
Todas as unidades eram provenientes de dadores não relacionados de bancos internacionais, que armazenam unidades de dadores altruístas, para fins de transplante alogénico (transplantes cujo dador é diferente do recetor).
As patologias para as quais as crianças receberam tratamento não permitiam a utilização do próprio sangue do cordão (autólogo), porque este podia ser transmissor da doença que se pretendia tratar.
2. Nos últimos dois anos, foram enviados, para tratamento experimental, 6 cordões armazenados em bancos privados portugueses, cujos resultados não conhecemos.
3. O sangue armazenado em bancos privados para uso exclusivo do próprio, ou em alguns casos, de familiares diretos (irmãos), no entanto, como referido anteriormente, não há possibilidade de utilizar o sangue próprio em muitas das doenças em que há indicação para transplante, como por exemplo, leucemias, porque o sangue armazenado pode transmitir a doença que, à nascença estava escondida, mas que se manifestou mais tarde e pode voltar a aparecer se, se utilizar o sangue do próprio doente no tratamento.
Por outro lado, a quantidade de células que se consegue colher é relativamente pequena, e para crianças mais velhas e com mais peso, as unidades armazenadas não possuem um número suficiente de células, e torna-se necessário recorrer a outros dadores compatíveis.
Esta busca por um dador compatível, é possível através da pesquisa em bases de dados internacionais, partilhadas pelos Bancos internacionais (que armazenam unidades para utilização alogénica), de modo semelhante ao que acontece com as bases de dadores de medula óssea.
4. Ainda que a probabilidade de utilização das unidades armazenadas para uso autólogo seja muito reduzida, as unidades poderão ser usadas desde que cumpram os requisitos de qualidade e segurança.
Antes da libertação das unidades, são efetuadas análises pelo banco de sangue do cordão às unidades preservadas, que visam assegurar que cumprimento dos requisitos de qualidade e segurança que permitem a sua utilização. As condições em que é efetuada a colheita, o transporte e a análise das unidades de sangue do cordão, são determinantes para a qualidade do produto final;
5. Assim, empresas de criopreservação listadas como entidades autorizadas no site da ASST (http://www.asst.min-saude.pt/ transplantacao/banco/Paginas/ default.aspx) correspondem às instituições cujo processo de autorização se encontra completo, tendo-se verificado o cumprimento dos requisitos legais dispostos nas Diretivas Europeias e na Legislação Portuguesa, bem como os requisitos técnicos associados às boas práticas aplicáveis à atividade, que asseguram que as unidades criopreservadas cumprem os requisitos de qualidade e segurança;
6. As restantes empresas encontram se ainda em fase de avaliação, não se encontrando ainda terminado o processo de autorização.
Esperamos ter respondido às suas questões, e agradecemos o seu interesse na doação.
Qualquer outra duvida não hesite em contactar-nos.
Com os melhores cumprimentos,
Rita Piteira
Sem comentários:
Enviar um comentário